quarta-feira, 28 de maio de 2014
HOMENS SANTOS NA TERRA SANTA
A ESPERANÇA DE PAZ NO TERRITÓRIO DA INTOLERÂNCIA
Quanto mais eu estudo e acompanho a trajetória da Igreja católica ao longo desses quase vinte séculos, mais eu comprovo o seu distanciamento dos ensinamentos do Cristo, embora os emotivos (religiosos) e os incautos (que só acreditam no Deus cristão por temor de irem ao Inferno) insistam em ver relação e proximidade. Tudo me parece muito teatral, litúrgico, cerimonial, mas quase nada há de fidedigno ou semelhante ao que viveu e pregou aquele que pretendem que seja o fundador do cristianismo – Jesus Cristo. A bem dos anais históricos, o verdadeiro “fundador”, ou seja, aquele que estabeleceu não só as bases, mas também foi, com maestria, o divulgador da nascente religião cristã, chamava-se Paulo (anteriormente, Saulo, o grande general romano, perseguidor dos cristãos). Alguns estudiosos da Bíblia acreditam que o apóstolo Paulo foi “a escolha de Deus” para substituir Judas Iscariotes como o décimo segundo apóstolo (seja lá o que isso signifique de bom ou de mau). O fato é que esse verdadeiro “apóstolo”, ou seja, difusor, propagador do pensamento do Cristo, e não apenas um discípulo, ou seguidor do Cristo enquanto vivo, como, por exemplo, Pedro (que o negou por três vezes), ou Tomé (que recusava-se a acreditar em sua ressurreição sem a prova ocular), é o responsável por esse “império religioso” de quase dois mil anos.
Voltando ao Cristo, gostaria de lembrar que não são poucos os eventos em que ele deixa claro a sua intenção de desobedecer as leis judaicas – e realmente as desobedece –, como no episódio da cura num sábado (Lc. 13:10-17) e naquele em que evitou o apedrejamento de Maria Madalena (Jo.8:3-5). Entretanto, ele também é categórico em afirmar que não se deve julgar que ele tenha vindo para “revogar a lei”, senão para “cumpri-la” (Mt. 5:17). A meu ver, esse é um forte indício de que já havia ali (como, talvez, sempre tenha havido entre o que se prega e o que se pratica) um grande distanciamento entre o que era a “Lei dos Profetas” (aquilo que propriamente recomendava religião judaica) e o que os sacerdotes interpretavam dela e realmente praticavam. Algo que ouso denunciar que ocorre semelhantemente com o cristianismo hoje praticado em relação ao que fora ensinado pelo Cristo. E, por favor, não me venham falar “da mensagem de paz”, da “caridade cristã”, “dos trabalhos em prol dos pobres e necessitados”, e blá-blá-blá, blá-blá-blá, pois isso tudo também é encontrado em todas as demais religiões, como fundamentos da sua fé. Estou falando de coisas “questionáveis” e “visíveis” (para não dizer, palpáveis).
Bem, antes de enveredar pelo mote deste artigo – a viagem do Papa Francisco à Terra Santa –, pedirei um pouco mais de paciência aos gentis leitores deste blog, para que seja melhor explicado a todos o que é essa que chamam de “Terra Santa” e um pouco da história conflituosa entre israelenses (judeus) e palestinos (muçulmanos).
Pois bem! Terra Santa é o nome bonito que eles dão a uma região que vive em conflito há séculos, devido a divergências religiosas, causadas não apenas pela morte, mas também pela própria vida do Cristo. O que eles chamam de “Terra Santa” é basicamente a região que compreende a Cisjordânia, a Faixa de Gaza e o Estado de Israel. “Na Cisjordânia encontram-se os locais que são sagrados tanto para o judaísmo, como para o islamismo e o cristianismo, principalmente após a saída dos judeus do Egito, para a conquista de Canaã sob a liderança de Moisés e seu sucessor, Josué. A Igreja da Natividade fica em Belém e foi construída segundo a tradição no local onde Jesus nasceu. Jerusalém, a cidade mais sagrada para o judaísmo, o lugar onde Jesus pregou e acabou sendo morto, tendo ressuscitado, também foi o local da ascensão do profeta do Islão, Maomé. Durante as cruzadas, cristãos europeus procuraram ganhar o controle do território sobre os mouros. Nunca houve, em mais de 5 mil anos de história, um território tão disputado e tão conflagrado como esse. Para os judeus, ela é a Eretz Israel, a terra dada por Jeová ao Povo Eleito, tendo Jerusalém, cujo terreno original foi tomado dos filisteus pelo rei Davi, como sua eterna capital (por volta do ano 1.000 a.C.). Ela é a Terra da Promissão, o local que Deus apontou a Moisés como o lar definitivo dos judeus logo que eles conseguiram escapar do Egito, onde eram mantidos como escravos pelo faraó.
Em 2 mil anos de exílio, os judeus sempre constituíram minorias em outros países, sendo constantemente discriminados e perseguidos. O cristianismo, após tornar-se a religião oficial do Império romano, contribuiu bastante para isso, retirando a culpa da crucificação de Jesus que pesava sobre Roma e atribuindo-a aos judeus, que passaram a ser vistos como os "assassinos de Cristo". Não é difícil imaginar o que lhes aconteceu durante a Idade Média ou a Contra-Reforma, quando a Igreja católica imperava. Entre os judeus, desenvolveu-se um movimento nacionalista que se orientava pela ideia de recriar uma nação judaica no território de sua pátria ancestral. O movimento recebeu o nome de sionismo, que se origina de Sion, a antiga designação de uma colina de Jerusalém que passou a denominar esta mesma cidade bem como a própria Israel.
Saltando na História, chegamos ao final da Segunda Guerra Mundial, quando vamos perceber as sequelas deixadas pela crueldade perpetrada pelo nazismo contra mais de seis milhões de judeus, que foram mortos nos campos de concentração. Isso, por si só, chamou a atenção de certas organizações de ajuda humanitária, que logo se propuseram a resgatar os judeus sobreviventes dos campos de concentração, embarcando-os clandestinamente para a palestina (na época, uma concessão britânica). Nessa ocasião, a opinião pública mundial sensibilizada apoiou maciçamente a ideia de se criar um Estado judeu na Palestina. “Com o fim da Segunda Guerra, as organizações judaicas passaram a resgatar os que escaparam do holocausto nazista e a embarcá-los clandestinamente para Israel”.
“Em 1947, em assembleia realizada pela Organização das Nações Unidas (ONU), presidida pelo brasileiro Oswaldo Aranha, foi deliberada a divisão da Palestina em dois Estados, o Estado Judeu e o Estado Árabe. A 14 de maio de 1948, seis horas antes do término oficial do Mandato britânico, David Ben Gurion, que seria o primeiro governante israelense, leu a declaração de Independência de Israel, fundando assim oficialmente o estado de Israel. Os Estados Unidos e a União Soviética, as potências do pós-guerra, reconheceram rapidamente o novo Estado. No entanto, o Estado árabe prenunciado pela ONU nessa partilha não foi estabelecido e os palestinos lutam até hoje para ter o seu Estado. Esse episódio foi denominado Questão Palestina.
“A revolta dos países árabes foi imediata à criação do Estado de Israel. Isso culminou no primeiro conflito árabe-israelense. Com o apoio militar e financeiro recebido de outras nações, Israel venceu a guerra e dominou mais da metade do território reservado aos árabes no plano de divisão da ONU. Com a derrota da guerra de 1948, cerca de meio milhão de palestinos foram obrigados a deixar a terra em que viviam para se refugiar em países vizinhos.
“Expulsos de suas terras, os palestinos eram maltratados, inclusive nos países árabes. Somente a Jordânia permitiu a integração dos palestinos em sua sociedade, mas sendo vigiados permanentemente. Nos outros países eles passaram a viver em acampamentos para refugiados, com a ajuda da ONU. Desde então, o Oriente Médio tornou-se uma das regiões mais conflituosas do globo, cenário de consecutivos conflitos extremistas entre judeus e árabes.”
O Estado Palestino ainda não conseguiu ser efetivamente criado. De meados do século 20 até o início do século 21, a história de Israel e do Oriente Médio é marcada por tantos problemas e conflitos que constitui uma nova epopeia, quase tão longa quanto a dos 5 mil anos anteriores.
No cenário atual, o papa Francisco fez sua visita de três dias à Terra Santa, onde como bom diplomata, afirmou o direito de Israel "a existir e a ter paz e segurança no interior das fronteiras, internacionalmente reconhecidas", mas também o do povo palestino "de ter uma pátria soberana e independente", e, como líder da Igreja católica, apelou para o reconhecimento "do caráter sagrado e universal" da cidade de Jerusalém e do seu "patrimônio cultural e religioso", que fazem dela "local de peregrinação para os fiéis das três religiões monoteístas" – o judaísmo, o islamismo e o cristianismo. Quebrando o protocolo (como recorrentemente tem feito), Francisco fez uma paragem não programada na cidade de Belém junto ao muro que separa a Cisjordânia de Israel. O papa saiu do seu carro e durante alguns minutos postou-se de pé junto ao muro, num gesto improvisado, antes se dirigir para a Praça da Manjedoura, onde celebraria uma missa, após o encontro com o presidente palestino, Mahmud Abbas.
O Jornal Nacional (Globo) assim se pronunciou sobre a dificuldade dos fiéis verem o papa: “Com a segurança muito reforçada, os fiéis ficaram bem longe do Papa Francisco. Jerusalém amanheceu vazia e silenciosa. Protegida por oito mil homens. Com tanta segurança, ver o Papa foi quase missão impossível”. Ora, um “representante de Deus” na Terra não deveria ter necessidade de tantos cuidados e de tanta proteção policial. O papa Francisco mal pôde ser visto por aqueles que gastaram dinheiro e se esforçaram tanto para vê-lo na Terra Santa. Se isso se restringe unicamente às questões de segurança internacional, há que se perguntar qual a diferença então de um homem santo e um profano qualquer (presidente, diplomata, celebridade etc, etc). Ao que parece, tudo fica mesmo no nível político-diplomático, pois no religioso mesmo, quase nada! É verdade que havia razões “reais” para tanta proteção do “homem santo: “Depois de uma série de ameaças, a polícia israelense descobriu um plano de judeus ortodoxos radicais para obstruir o caminho do Papa e impedir que ele chegasse ao local onde Jesus teria feito a Última Ceia, num prédio que também é sagrado para os judeus. Três suspeitos foram detidos e carros foram guinchados” (concluiu o JN). Em seu último dia de visita, “Francisco convocou cristãos, muçulmanos e judeus a trabalharem juntos pela paz, e culpou os que usam o nome de Deus para praticar a violência”.
Missão cumprida! Resta saber se, daqui para frente, haverá mesmo algum vestígio de paz entre os praticantes dessas religiões, depois de tanta boa vontade e diplomacia dos “homens de bem”, ou se toda a rivalidade e intolerância que até aqui se viu na Terra Santa não tardará em por a perder tais esforços, levando mesmo à destruição dos homens e dos lugares considerados sagrados dali. Se assim for, não haverá como manter a esperança ou a fé naquelas palavras do Cristo: “Destruí este templo e eu em três dias o reconstruirei!” (João 2:13-22).
Pesquisa:(http://www.brasilescola.com/historiag/a-criacao-estado-israel.htm) e outros sites que foram usados de forma editada.
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