UMA ANÁLISE DESMISTIFICADORA DA REALIDADE POLÍTICA NACIONAL
Vou começar este artigo com um ditado popular muito conhecido, que falará mais por mim do que milhares de palavras que eu aqui escreva: “De boas intenções o inferno está cheio!”. É isso mesmo, principalmente se o assunto do qual se trata é a “ilustre política brasileira”.
Pois, bem! Estamos caminhando para o fim do ano de 2014, às portas do pleito político de maior escala da democracia brasileira, pois não se trata de eleições municipais, mas da escolha de cargos federais, como o novo, a nova ou a velha presidente; meses depois de uma decepção universal com o futebol brasileiro, que vexatoriamente perdeu de ... bem, eu me recuso a repetir aquele placar imoral contra a Alemanha (e o meu cardiologista me proibiu de fazê-lo); então, como eu dizia, lá vamos nós de novo às urnas, obrigados, é claro, e muitos de nós, como eu, a contragosto, encarar a máquina eletrônica que, não se sabe por que cargas d’água, só tem nomes que não rimam com a palavra “honestidade” e números que não servem para “somar” com os anseios desta nação.
A verdade é que estão de volta os mesmos nomes de sempre, ainda que não sejam os mesmos personagens. Enquanto os grandes caciques da politicagem brasileira vão morrendo ou se aposentando, seus filhos, netos, parentes, aderentes, cachorros, gatos, periquitos e papagaios etc, etc, etc, despontam, oferecendo seus nomes como opções de mudança. “Mudança”? Mas como “mudança”, se são os mesmos, com gene hereditário e tudo (só falta ser o mesmo DNA)? Que conversa é essa para boi dormir de que esses herdeiros da concupiscência política serão os “feitores da mudança tão desejada” por uma população que, em grande número, só tem condições de tomar seu café-da-manhã graças ao programa “Bolsa Família”, ou ao vergonhoso salário mínimo de um empreguinho público ou privado, e outros tantos que só sabem o que é dormir debaixo de um teto porque pululam nas cadeias (as maiores universidades da marginalidade e da reeducação para o crime) Brasil afora.
De um lado, temos, na corrida presidencial, três nomes já exaustivamente conhecidos até por gente que mal sabe o que é ou se interessa por política: Aécio Neves, Marina Silva e Dilma Rousseff. Esta última, tentando, como fazem todos os grupos políticos (já não se trata mais de “partidos”), manter ad infinitum o poder para o seu séquito. A outra candidata, Marina Silva, que se viu da noite para o dia (ou se preferirem a franqueza, da vida para a morte) alavancada ao primeiro lugar nas intenções de voto, segundo as mais recentes pesquisas, graças ao fatídico acontecimento do último 13 de agosto, quando a queda do avião em que estava o candidato a presidente de sua chapa, Eduardo Campos, culminou com sua morte (coincidentemente, na mesma data do falecimento de seu avô, e também político, Miguel Arraes). Eis um fato que, sozinho, teve três grandes consequências: alavancou a candidatura de Marina Silva (como acabei de dizer), deixou em polvorosa a todo-poderosa e candidata supostamente já reeleita (até então), Dilma Rousseff, e atirou no quinto-dos-infernos a candidatura de Aécio Neves, que parecia ser páreo para a atual presidenta. Que reviravolta, hein?! Alguns diriam (ou devem ter dito mesmo) “Deus escreve certo por linhas tortas!”. Eu, por mim, digo (como sempre disse) duas coisas quando se coloca “Deus” (o já reconhecidamente “morto” por Nietzsche, por mim, por uma série de sérios cientistas e pensadores, e por uma legião dos chamados ateus)... pois, bem! Eu digo que “ele (Deus) sempre escreveu torto por linhas certas!”, ou que “ele (Deus) pode até não existir, mas se ele existir, é um louco!”. Bem, deixemos as questões religiosas para o “grand finale” – ainda não é “o fim”!
Correndo por fora, e praticamente sem qualquer chance real de chegar ao Palácio do Planalto, estão Eduardo Jorge (PV), Luciana Genro (PSOL), Rui Costa Pimenta (PCO) e Pastor Everaldo (PSC). Tem ainda um que tem mal o nome (não tem sobrenome de pai nem mãe), Eymael (PSDC) e um típico representante do “povinho brasileiro” (sabem aquela “gentinha humilde” que tem a cara de um povo que nunca existiu?), o cidadão Zé Maria (PSTU)... e sei lá mais quem, mas também não me importa! É claro, todo cidadão ou cidadã, dentro dos requisitos da legislação brasileira, pode (e deve) se candidatar a um cargo político. Não viram o Lula? Um operário, semi-analfabeto, sem um dos dedos das mãos, Presidente do Brasil? Quem diria, hein?! Pois é, por que não tentar? E esses últimos aí, que eu citei, estão tentando.
Ora, senhoras e senhores deste meu (nosso) Brasil, já não bastavam tantos candidatos já tarimbados na corrupção política brasileira, agora ainda temos de suportar religiosos, evangélicos, querendo o poder? Vocês sabem que esse pessoal evangélico é megalomaníaco, não sabem? O poder que eles sempre querem é o “Mundial”, o “Universal”, e, se tiver algo para além disso, eles também querem! Então, o Pastor Everaldo, se eleito (pela graça do “Deus do dinheiro”), vai privatizar a Petrobrás, segundo ele, “um foco de corrupção”. Então perguntemos: Pastor Everaldo, e o que são as igrejas evangélicas, com suas vendas de curas milagrosas, de seus produtos confeccionados para ludibriar os fiéis e angariar rios de dinheiro, sua cobrança do dízimo em boletos bancários, a construção de “palácios luxuosos” como templos e tudo mais que poderia ser elencado, mas só caberia numa numerosa série de artigos específicos sobre isso? Senhoras e senhores, sei que muitos dos que estão lendo este artigo se sentirão ofendidos pelo que chamarão de “calúnias”, pois são seguidores desse neopentecostalismo de megalomaníacos e delinquentes, prestidigitadores da fé e almas penadas sem esperança; seguidores de Edir Macedo, R.R. Soares, Valdemiro Santiago, Silas Malafaia e outros, Brasil afora; mas eis uma verdade que não quer calar! Em resumo: o que estava mal tende, por todas as razões supracitadas, a piorar bastante.
A intenção deste artigo é retratar o quadro político nacional sob a ótica de um filósofo, professor, e orgulhosamente de um “sem-Deus”. Ás vezes sinto que, lá no fundo do meu coração, eu também queria que “Ele” existisse, mas quando saio de novo daquele velho coração inocente e juvenil e retorno à realidade à minha volta, só consigo pensar que se “Deus” (esse Deus da fé demente da Religião) existisse, ele seria, na melhor das hipóteses, um monstro, um demônio ou um psicopata universal. Sei que minha franqueza, sinceridade e, sobretudo, minha comparação podem chocar até os menos cristãos, ou religiosos de qualquer espécie, mas não vejo possibilidade alguma de alguém me convencer, com bons argumentos, do contrário.
Bem, voltando ao cenário político, e para finalizar, quero dizer que, sem me arvorar em “ave de mau agouro” ou “pessimista de carteirinha”, vejo um futuro sombrio e embaraçoso para aqueles que não são dependentes das migalhas populistas do Governo Federal, dos altos salários de assessores divididos com “padrinhos políticos”, do puxassaquismo dos gabinetes e das assembleias legislativas, da megalomania e da pregação religiosa da extorsão, dos favores bestiais dos coronéis ainda hoje existentes nas terras empoeiradas e esquecidas por Deus no nordeste brasileiro (e outros rincões). Enfim, para aqueles que não encontram mais tempo para sonhar com um Brasil decente, tanto na sua esfera política quanto na social, porque estão lutando para conquistar o pão de cada dia para si e para os seus, da forma mais honesta possível neste país (lembrem-se, o Brasil é um dos únicos países, se não o único, em que a honestidade pode ser avaliada percentualmente: 90% honesto, por exemplo); para os que foram afortunados em ter mente aberta para as grandiosas verdades, que não cabem nas mentes estreitas dos que se acotovelam em comícios de corruptos e em templos da extorsão; para todos esses, para os quais só restou (há muito tempo) apunhalar a esperança de frente, olhos nos olhos, para dizer na cara dela “Sei que és a mensageira da Eterna Mesmice, a inimiga número 1 de qualquer mudança benfazeja, portanto, tens que morrer, cretina!”; sim, para todos esses, o velho e tenebroso túnel ainda será longo e escuro, e como não dá para ver o fim, também não dá para ver a luz!






Nenhum comentário:
Postar um comentário